O autor deste texto é João Pereira Coutinho, jornalista.
"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.
É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos.
A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
She's the one

Depois de uma falha de eletricidade me ter privado do meu computador na escola durante semanas, finalmente chegou a minha máquina.
Claro que a sua ausência me causou transtorno e fiquei contente pelo seu regresso. A verdade é que fiquei feliz ao ser surpreendida com os screensavers que traz. Uma delícia. Que ternura! E depois a surpresa de ter novas imagens a todo o momento...
Deslumbrada que estava e que continuo, pois ao fim de três dias ainda descubro novidades, decidi pesquisar sobre a autora de tais ilustrações. Encontrei aqui a Georsiana Chitac. Ainda não sei nada dela mas posso deliciar-me com os seus desenhos que disponibiliza neste seu blog. Um encanto! Adoro!
domingo, 1 de janeiro de 2012
Ich bin ein Sonntagskind!
(Sonntag=domingo; Kind=criança)
Na Alemanha acredita-se que um bebé nascido a um domingo será uma criança forte, saudável, feliz e com muita sorte (Glücklich = feliz; sortudo).
Para quem está a começar é desde logo uma vantagem na linha da partida, que augura um crescimento favorável, uma vida bafejada pela sorte.
Hoje nasceu 2012 mergulhado num pessimismo geral e eis que, qual luzinha ao fundo do túnel, se envolve de um tal presságio que o responsabiliza na concretização dos agouros que traz. Os bons, neste caso!
Domingo, o1 de janeiro de 2012. BOM ANO!
Na Alemanha acredita-se que um bebé nascido a um domingo será uma criança forte, saudável, feliz e com muita sorte (Glücklich = feliz; sortudo).
Para quem está a começar é desde logo uma vantagem na linha da partida, que augura um crescimento favorável, uma vida bafejada pela sorte.
Hoje nasceu 2012 mergulhado num pessimismo geral e eis que, qual luzinha ao fundo do túnel, se envolve de um tal presságio que o responsabiliza na concretização dos agouros que traz. Os bons, neste caso!
Domingo, o1 de janeiro de 2012. BOM ANO!
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
BeBel Bistro
Mais do que uma refeição, ensaiei sabores, deliciei-me nos pormenores da decoração, aconcheguei-me na simpatia da proprietária e saí reconfortada e com os sentidos preenchidos por uma experiência sinestésica.
Mesmo em frente ao Palácio de São Bento esconde-se o BeBEL BISTRO, num espaço suis generis onde destaco os diversificados naperons de renda como centro das mesas e uma estante a revestir uma parede onde desfilam aos nossos olhos livros e objetos antigos “todos com história”, como assegurou a proprietária.
Mas BeBEL BISTRO não é um museu e os sabores são reis: creme de castanha bem aveludado, moules frites, bifinhos de peru com molho suave de mostarda e puré de beringela, ovo viridiano que obriga a um constante lamber de lábios… Assim nos entretivemos durante aquela noite fria na rua de São Bento. Ainda houve espaço para a sobremesa: merengue flamejado com gelado de baunilha – um hino ao olfato – e tarte tatin, mais uma especialidade belga, trazida pela anfitriã.
Recomendo esta cozinha familiar requintada que ainda por cima serve desde cedo pela fresquinha. Às 8.30h da manhã as portas abrem para os pedidos dos clientes.
Agora que não passa de uma memória ainda procuro o gosto do creme de cogumelos que acompanhava o ovo, numa frigideira a repartir por dois. Mnham, mnham!!!!


Mesmo em frente ao Palácio de São Bento esconde-se o BeBEL BISTRO, num espaço suis generis onde destaco os diversificados naperons de renda como centro das mesas e uma estante a revestir uma parede onde desfilam aos nossos olhos livros e objetos antigos “todos com história”, como assegurou a proprietária.
Mas BeBEL BISTRO não é um museu e os sabores são reis: creme de castanha bem aveludado, moules frites, bifinhos de peru com molho suave de mostarda e puré de beringela, ovo viridiano que obriga a um constante lamber de lábios… Assim nos entretivemos durante aquela noite fria na rua de São Bento. Ainda houve espaço para a sobremesa: merengue flamejado com gelado de baunilha – um hino ao olfato – e tarte tatin, mais uma especialidade belga, trazida pela anfitriã.
Recomendo esta cozinha familiar requintada que ainda por cima serve desde cedo pela fresquinha. Às 8.30h da manhã as portas abrem para os pedidos dos clientes.
Agora que não passa de uma memória ainda procuro o gosto do creme de cogumelos que acompanhava o ovo, numa frigideira a repartir por dois. Mnham, mnham!!!!


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Justiça ?lenta?
Há uns tempos denunciei uma situação de maus tratos a uma criança da escola. A polícia encarregou-se das papeladas, descreveu o sucedido, de acordo com o que descrevi, segundo as informações dadas pela criança. Eu assinei.
Hoje fui a uma esquadra, mais de uma hora à espera e depois fui dizer exactamente a mesma coisa que dissera e que estava escrito na denúncia.Assinei em baixo.
Daqui a uns tempos, muito provavelmente, serei chamada a tribunal e não terei mais nada a acrescentar ao que já disse por duas vezes. Por duas vezes um agente da PSP escreveu, por duas vezes assinei e como não há duas sem três...
E eu que nem vi nada!!!!
Assim anda a Justiça: é lenta ou o caminho que percorre é que é longo?
Hoje fui a uma esquadra, mais de uma hora à espera e depois fui dizer exactamente a mesma coisa que dissera e que estava escrito na denúncia.Assinei em baixo.
Daqui a uns tempos, muito provavelmente, serei chamada a tribunal e não terei mais nada a acrescentar ao que já disse por duas vezes. Por duas vezes um agente da PSP escreveu, por duas vezes assinei e como não há duas sem três...
E eu que nem vi nada!!!!
Assim anda a Justiça: é lenta ou o caminho que percorre é que é longo?
domingo, 4 de dezembro de 2011
Ah! Não acredito! Está ali o...
Quando era miúda, era mágico encontrar gente famosa, pisando a mesma calçada que eu, indo às compras como vai toda a gente... olhar gente que se imagina num pedestal, apenas acessível pelo écran da televisão.
Vivendo na província considerava privilégio de quem vivia em Lisboa, poder cruzar-se com caras da TV, tão afastadas do meu mundo real.
A verdade é que, de facto, hoje em dia é comum dividir espaços com esses seres outrora tidos como inacessíveis, mas a magia foi-se, claro. Pela trivialidade, a frequência com que acontecem e acima de tudo porque já não sou criança.
Partilhei da alegria do F de encontrar o Rodrigo(jogador do Benfica, para quem não conhece...); a excitação de estar a poucos metros dele, a vergonha face à possibilidade de lhe falar, a incredulidade da casualidade que experienciava...
A memória não vai falhar e vai registar o momento. Mas à cautela:

Bem guardado ficará o acenar de despedida, directamente para a nossa mesa, digo para este fã, em extâse.
Vivendo na província considerava privilégio de quem vivia em Lisboa, poder cruzar-se com caras da TV, tão afastadas do meu mundo real.
A verdade é que, de facto, hoje em dia é comum dividir espaços com esses seres outrora tidos como inacessíveis, mas a magia foi-se, claro. Pela trivialidade, a frequência com que acontecem e acima de tudo porque já não sou criança.
Partilhei da alegria do F de encontrar o Rodrigo(jogador do Benfica, para quem não conhece...); a excitação de estar a poucos metros dele, a vergonha face à possibilidade de lhe falar, a incredulidade da casualidade que experienciava...
A memória não vai falhar e vai registar o momento. Mas à cautela:
Bem guardado ficará o acenar de despedida, directamente para a nossa mesa, digo para este fã, em extâse.
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